Violência contra a mulher em Cuiabá: Estudo revela que maioria dos agressores se declara empresário

Foto: Mediacloud

Um retrato inesperado e preocupante da violência doméstica em Cuiabá foi revelado pelo Anuário de Violência Doméstica e Crimes Sexuais de 2024. Dados apresentados pela delegada Judá Maali, titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), mostram que a maioria dos casos registrados na capital tem como autores homens que se declaram empresários. A informação quebra o estereótipo de que a agressão é um problema restrito a determinados grupos sociais.

“A gente observou que, dos homens que praticaram violência doméstica, boa parte são empresários. Essa é a profissão que prepondera”, afirmou a delegada, em evento realizado no último dia 16. A constatação joga luz sobre uma realidade muitas vezes encoberta pelo poder econômico e status social, desafiando noções preconcebidas sobre o perfil dos agressores.

O estudo vai além da profissão e adentra o nível de instrução dos envolvidos, revelando outro dado alarmante: 36% desses homens possuem ensino superior completo. A estatística desmonta a ideia de que a violência doméstica estaria vinculada à baixa escolaridade ou à vulnerabilidade econômica. Pelo contrário, os números mostram que o problema atravessa todas as classes sociais, sem distinção.

“Então, a gente imagina que as pessoas que praticam violências estão em só um recorte social, mas não. A violência prepondera em todas as classes sociais e se destaca também entre os homens que têm ensino médio e superior”, analisou Judá Maali. A delegada faz uma crítica contundente ao destacar a contradição entre o conhecimento formal e a ação violenta: “São homens que têm conhecimento, que têm escolaridade, que poderiam refletir sobre a violência doméstica”.

As informações do anuário sugerem que o combate à violência contra a mulher exige estratégias que ultrapassem as barreiras do poder aquisitivo e do nível educacional. O fato de agressores ocuparem posições de destaque na sociedade pode, inclusive, criar obstáculos adicionais para que as vítimas busquem ajuda, devido ao receio de não serem credibilizadas ou às pressões sociais e econômicas envolvidas.

A revelação serve como um alerta para que a sociedade reconheça a violência doméstica como um fenômeno complexo e democrático, que não escolhe vítimas ou agressores pela sua conta bancária ou diploma, demandando um enfrentamento igualmente amplo e sem distinções.

Vídeo: Site Reporter MT

Foto: Mediacloud

Informações: Reporter MT

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