Nesta sexta-feira (23), Cuidadoras de Alunos com Deficiência (CADs) da rede municipal de ensino de Cuiabá celebram um novo momento na carreira, marcado por valorização profissional, estabilidade contratual e reconhecimento institucional. A mudança ocorre após a realização de novo processo seletivo e a contratação direta das profissionais pela Prefeitura, encerrando um período de vínculos frágeis e remuneração considerada insuficiente.
O avanço mais expressivo está na remuneração. Antes de 2025, os salários variavam entre R$ 800 e R$ 1,8 mil. Com a nova política adotada pela gestão municipal, os vencimentos ultrapassam R$ 3 mil para jornadas de 40 horas semanais, enquanto nenhuma cuidadora recebe menos de R$ 2.368,14 para carga horária de 30 horas.
Além do ganho financeiro, as profissionais relatam melhorias significativas na organização do trabalho, no acolhimento institucional, na previsibilidade dos contratos e na ampliação dos investimentos em capacitação continuada. Para quem atua diariamente com crianças com deficiência e necessidades educacionais específicas, a valorização reflete diretamente na qualidade do atendimento e na segurança emocional das equipes.
A diretora de Ensino, Letícia Ceron, destacou que o novo processo seletivo foi planejado para garantir eficiência administrativa e respeito às profissionais. Segundo ela, a convocação ocorreu com critérios técnicos, transparência e organização, assegurando que as escolas iniciem o ano letivo com equipes completas e valorizadas, fortalecendo a Política de Educação Especial Inclusiva.
Entre os profissionais que acompanham essa evolução está Natan Figueiredo da Silva, de 25 anos, que atua como CAD desde 2021. Ele relembra que, no início da carreira, a média salarial girava em torno de R$ 1.200, subindo posteriormente para até R$ 1.800. Agora, com a nova contratação, a expectativa de remuneração próxima a R$ 3 mil representa uma mudança significativa na realidade da categoria.
Natan ressalta que o trabalho vai além do cuidado básico. Para ele, acompanhar o desenvolvimento das crianças, observar avanços na aprendizagem e na socialização é uma das maiores recompensas da função, tornando a profissão ainda mais significativa.
A cuidadora Renata, de 38 anos, também iniciou a atuação antes de 2025 e mudou completamente de área ao se identificar com a rotina de acompanhamento das crianças. Ex-cabeleireira, ela afirma que hoje se sente mais realizada e respeitada, especialmente diante da melhoria salarial e das condições de trabalho. Segundo ela, a tranquilidade profissional fortalece o vínculo com as famílias e contribui diretamente para o desenvolvimento dos alunos.
Já Adriane, de 39 anos, que atua há três anos como CAD, relembra a insegurança vivida ao final de cada contrato. Com o novo modelo, ela afirma sentir-se amparada e segura, destacando que o salto salarial representa dignidade e estabilidade financeira. Para a profissional, sair de uma remuneração de R$ 1.200 para valores acima de R$ 3 mil é uma transformação profunda na vida pessoal e profissional.
As CADs também ressaltam a importância da formação continuada e do fortalecimento das políticas de inclusão, que ampliam o papel dessas profissionais nas unidades escolares. Elas atuam diretamente no apoio à autonomia, no acompanhamento pedagógico, na socialização e no desenvolvimento emocional das crianças com deficiência, sendo peças fundamentais para uma educação verdadeiramente inclusiva.
Com melhores salários, estabilidade contratual e estrutura adequada, as profissionais afirmam que conseguem exercer suas funções com mais qualidade, dedicação e comprometimento, refletindo positivamente no aprendizado, na inclusão social e no bem-estar dos alunos atendidos pela rede municipal.