Secretaria de Saúde investiga 13 notificações e reforça campanha de vacinação após confirmação de casos em Primavera do Leste e Tangará da Serra; Várzea Grande tem caso suspeito em investigação.
Um vírus que muitos acreditavam estar sob controle voltou a circular em Mato Grosso. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) confirmaram três casos de sarampo em Primavera do Leste e um em Tangará da Serra até o início de outubro, acendendo o sinal de alerta em todo o estado. Com 63 notificações registradas apenas este ano – das quais 48 foram descartadas e 13 permanecem sob investigação – as autoridades sanitárias intensificam a busca por não vacinados.
Em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, a situação também mobiliza equipes de saúde. Seis casos suspeitos foram notificados em 2025, com cinco já descartados pelo Laboratório Central do Estado (Lacen-MT). Um envolvendo uma criança de nove anos, que está em isolamento desde 29 de setembro, aguarda resultado final que deve sair na próxima semana.
Corrida contra o tempo pela vacinação
Diante do cenário, a SES-MT reforça um apelo urgente: a vacinação é a única proteção efetiva contra a doença. O esquema vacinal básico recomenda a tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) aos 12 meses de idade, seguida pela tetraviral (que inclui proteção contra varicela) aos 15 meses. Adultos que não completaram o calendário vacinal também devem procurar as unidades de saúde.
“É fundamental que os pais levem seus filhos para vacinar mesmo fora dos períodos de campanhas nacionais”, orienta a secretaria, lembrando que a recomendação vale para crianças a partir de 12 meses, adolescentes e adultos até 59 anos que estejam com a vacinação incompleta.
Estratégias de contenção em ação
Em Várzea Grande, a Secretaria Municipal de Saúde partiu para a ação direta. Nesta sexta-feira (3) e sábado (4), uma equipe está vacinando no VG Shopping, das 13h às 20h30. Na próxima semana, entre os dias 8 e 10 de outubro, a imunização chegará ao Aeroporto Internacional Marechal Rondon, das 8h às 16h, buscando alcançar passageiros e trabalhadores do terminal.
Cenário nacional e preocupação nas fronteiras
O Brasil registrou 24 casos de sarampo em 2025 até a 35ª semana epidemiológica, conforme balanço do Ministério da Saúde. Considerados esporádicos, os registros ocorreram no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Tocantins.
Apesar dos números relativamente baixos comparados a surtos anteriores, a circulação ativa do vírus em países vizinhos como Bolívia e Paraguai mantém as autoridades em estado de vigilância, especialmente nas regiões de fronteira.
Uma doença grave e evitável
O sarampo é uma infecção viral grave e extremamente contagiosa, transmitida através de secreções respiratórias de pessoas infectadas. Os sintomas iniciais incluem febre alta, tosse persistente, conjuntivite, coriza e o característico rash cutâneo (manchas vermelhas pela pele). Em casos graves, pode evoluir para pneumonia, encefalite e levar ao óbito – crianças menores de cinco anos e pessoas com imunidade baixa são as mais vulneráveis.
O Brasil já havia recebido da Organização Mundial da Saúde o certificado de eliminação do sarampo em 2016, mas perdeu o status após a reintrodução do vírus no país em 2018. Agora, a batalha para controlar novos surtos depende, mais uma vez, da adesão da população à vacinação.
Foto: Mediacloud