Em vídeo nas redes sociais, Abilio Brunini afirma que não negociará com manifestantes que interditarem vias ou danificarem o patrimônio público, citando como exemplo a postura do Governo Federal após os atos de 8 de janeiro.
Em um tom firme e sem rodeios, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), estabeleceu um limite claro para as manifestações que vêm ocorrendo no Contorno Leste. Em uma publicação feita em suas redes sociais na última quarta-feira, o gestor declarou que sua administração não abrirá diálogo com grupos que realizarem protestos que envolvam o bloqueio de ruas ou a queima de pneus, atos que ele classifica como vandalismo.
“Não vamos conversar com quem faz manifestação queimando pneu e fechando via”, afirmou Brunini, de forma categórica. Segundo ele, práticas desse tipo não pressionam a prefeitura a negociar, mas, pelo contrário, “afastam qualquer possibilidade” de conversa.
A declaração do prefeito não se limita a uma crítica. Brunini anunciou uma consequência direta para os envolvidos em depredações: moradores flagrados danificando o patrimônio público serão automaticamente excluídos de futuros programas de distribuição de lotes municipais. A medida busca cortar pela raiz o incentivo a táticas consideradas violentas pela gestão.
Governo Federal como Espelho
Para justificar a postura intransigente, o prefeito citou explicitamente o comportamento adotado pelas autoridades federais após os atos de 8 de janeiro de 2023, quando sedes dos Três Poderes foram invadidas em Brasília. Ele lembrou que, na ocasião, as ordens judiciais determinaram a desobstrução imediata das vias, sem qualquer tipo de barganha com os manifestantes.
“Aqui em Cuiabá é a mesma regra. Se queimou pneus, fechou vias, não haverá conversa”, reforçou, alinhando sua estratégia à do governo Lula para lidar com protestos considerados ilegais.
O posicionamento do prefeito surge em um momento sensível. Na mesma semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, suspendeu uma ordem de desocupação do Contorno Leste, atendendo a um pedido de um morador da área, José Leonardo Vargas Galvis. A decisão judicial joga luz sobre a complexidade do conflito fundiário, que envolve o direito à moradia e a legalidade urbanística.
Porta Aberta para o Diálogo Pacífico
Apesar do tom de confronto, Brunini fez questão de diferenciar os tipos de protesto. Ele deixou claro que não rejeita o direito de manifestação, desde que exercido de forma pacífica. O prefeito citou como exemplo seu histórico de ter se disponibilizado a receber grupos que protestaram de forma ordeira em frente ao Paço Municipal.
“Eu sempre desci para conversar. Se querem marcar reunião, eu participo. Mas queimar pneus e prejudicar o asfalto não vai chamar minha atenção, vai me afastar”, declarou, traçando uma linha nítida entre o protesto legítimo e o ato vândalo.
Ao final, a mensagem foi de que sua gestão não cederá ao que classifica como intimidação. “Quem optar por esse caminho não terá o apoio de Cuiabá”, concluiu, encerrando o vídeo com um recado que deve esfriar os ânimos de parte dos manifestantes, enquanto acende o debate sobre os limites do protesto social na capital.
Foto: Reprodução
Com informações: O Documento