Abordagem da Força Tática, integrante de uma operação estadual de combate ao crime organizado, expõe contradições na versão dos dois homens sobre a origem dos bens. Caso foi remetido à Polícia Federal para investigação de lavagem de dinheiro.
VARZEA GRANDE/MT – Uma ação da Força Tática da Polícia Militar na noite de terça-feira (23) resultou na apreensão de R$ 50.950 em espécie e um lote de joias de ouro de alto valor, durante a “Operação Rede de Enfrentamento às Facções Criminosas” (REFAC). A apreensão ocorreu na Avenida Couto Magalhães, após policiais da equipe Força 90 perceberem uma manobra evasiva de um veículo modelo Onix, de cor branca e placa QAM-7F39.
De acordo com o boletim de ocorrência, a abordagem inicial aos dois ocupantes não encontrou irregularidades aparentes. No entanto, uma busca minuciosa no interior do carro revelou uma mala discreta sob o banco do passageiro, contendo o montante em cédulas e as joias.
Os suspeitos, identificados como Thiago F. F. e Luiz C. F. S. J., não conseguiram apresentar uma justificativa coerente e legal para a posse dos bens. Em depoimentos separados, entraram em contradição: Thiago afirmou ser o dono do dinheiro, mas não soube explicar sua origem de forma plausível. Já Luiz declarou ser proprietário das joias, porém, a documentação que comprovasse a aquisição lícita das peças não foi apresentada.
Conexão com a Operação REFAC e encaminhamento à PF
A REFAC é uma iniciativa em andamento das forças de segurança de Mato Grosso, focada na desarticulação de grupos criminosos que atuam em diversas frentes, incluindo tráfico de drogas, roubo de cargas e crimes financeiros. A apreensão de grandes quantias em dinheiro vivo, sem origem justificada, é um indício forte de lavagem de capitais, prática comum para ocultar os lucros do crime.
Devido à complexidade e à possibilidade de crime federal, como lavagem de dinheiro, todo o caso e os apreendidos foram encaminhados para a Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso. A PF possui estrutura e expertise para rastrear a movimentação financeira e investigar a possível integração dos suspeitos a organizações criminosas maiores.
Consultadas, fontes da área de inteligência da PM afirmaram, sob anonimato, que os investigados já possuem registros por envolvimento em crimes contra o sistema financeiro, o que aumenta as suspeitas sobre a natureza ilícita dos valores apreendidos. A expectativa é que a PF desdobre a investigação para identificar a rede por trás do capital.
Especialistas em segurança pública destacam que operações como a REFAC são fundamentais para cortar o fluxo financeiro que sustenta o crime organizado. A apreensão de ativos, seja dinheiro, joias ou veículos, impacta diretamente a logística das facções. A população tem um papel crucial nesse processo, podendo reportar atividades suspeitas por meio de canais como o Disque Denúncia, contribuindo para a elucidação de casos como este.
Imagem: Serginho Lapada/MT Fatos
Informações: MT Fatos