Foto: Géssica Biazus
Com informação: gazetadigital
Com o objetivo de promover o desenvolvimento da região, em 1940, Getúlio Vargas alocou recursos para diversas cidades do Centro-Oeste brasileiro, visando a construção de uma residência oficial para os governadores, que até então precisavam alugar moradias. Desde então, 14 governadores residiram na casa, situada na rua Barão de Melgaço, em Cuiabá. Após anos fechada, em 2018, a residência foi reaberta como Museu Residência dos Governadores e continua a preservar relíquias do acervo utilizado pelos políticos, além de itens que pertenciam ao antigo Palácio do Alencastro, que era conectado à casa.
Em entrevista, o superintendente de preservação do patrimônio histórico e museológico, Robinson de Carvalho Araújo, ressalta a importância da casa para a evolução arquitetônica da época. Géssica Biazus “Ela possui uma estrutura de concreto que não era comum na época, pois foi nesse período que o cimento começou a chegar a Cuiabá. Não havia ferro, cimento. O sobrado era uma raridade, e o principal diferencial era o recuo em relação à rua, o que não era usual”, explica. Ele menciona que a tradição colonial consistia em posicionar a porta da casa no início do lote por questões de segurança, mas que o afastamento foi uma ideia da primeira-dama da época, Maria de Arruda Müller, esposa do primeiro governador a residir no local, Júlio Müller, para criar um jardim.
“Ela teve a ideia de trazer o jardim para a frente da casa, embelezando a fachada do imóvel. É evidente que eles já tinham viajado pelo mundo e possuíam algumas referências. A partir disso, os imóveis começaram a ter recuo, o que hoje é uma exigência, mas na época não era”, explica. Outros fatores, como a introdução de gás canalizado e banheiros dentro das casas, também contribuíram para a evolução dos costumes ao longo do tempo. O último governador a habitar a residência foi Júlio Campos, que, ao final de seu mandato, decretou a criação do museu em 1986. No entanto, o museu não foi implementado e a casa passou a ter outros usos, como sede do banco MT Fomento. Géssica Biazus “Foi em 2018, quando o imóvel retornou à Secretaria de Cultura, que conseguimos recuperar alguns móveis de diferentes locais, como o Palácio Paiaguás, e, por meio de pesquisa de fotos, imagens e vídeos, fomos reconstituindo todos os ambientes para mostrar como era a vida na residência naquele período”, relata.
Robinson destaca que a casa é de extrema relevância para a cultura do estado, pois ilustra o estilo de vida das décadas de 40 a 80. “Essa residência permite que a população tenha acesso ao modo de vida dos governantes nas décadas de 40, 50 e até 80, quando eles passavam por aqui. Assim, possibilita que crianças de hoje e pessoas que eram mais jovens na época possam visitar o imóvel e conhecer todo esse acervo”. Com uma decoração original, a casa mantém em excelente estado a sala de jantar, com sua coleção completa de utensílios domésticos, taças e um relógio da época. Além da sala de estar, que contém poltronas e uma mesa de centro, o escritório do governador abriga o decreto da criação do museu, roupas originais da época e uma mesa do Palácio Alencastro utilizada por Fernando Corrêa.
Na parte externa, há um busto dos governadores do Estado até os dias atuais, esculpido em argila. Géssica Biazus “Aqui era um local totalmente conectado ao palácio. Era onde ocorriam reuniões mais reservadas, além de festas de gala e banquetes para receber governantes e autoridades de outros estados ou países. A casa recebeu muitos eventos importantes, o que era bastante comum”, conclui. Juliene Barbosa, historiadora que trabalha no museu desde 2018, revela que ele é repleto de pertences de todos os governadores que já residiram no local. “Na sala, estão as vestimentas de Júlio Campos e sua esposa. No andar de cima, sobrou apenas um quarto do governador, mas não estamos realizando visitas na parte superior da casa devido à falta de acessibilidade. Nesse quarto, há uma mesa réplica da Casa Branca e uma foto do governador de 1950, Fernando Corrêa da Costa, sentado nela”, explica Juliene. Géssica Biazus Assim como muitos museus da cidade, o Museu Residência dos Governadores recebe, em sua maioria, excursões escolares. “Cerca de 1.600 pessoas costumam visitar o local anualmente, a maioria estudantes de escolas e universidades”, conta a historiadora. O museu está aberto de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e a entrada é gratuita.