Parlamentar foi uma das vítimas dos descontos irregulares revelados pela CPMI das Fraudes e decidiu destinar o valor reembolsado à filantropia; ele havia relatado cortes indevidos de cerca de R$ 89 em sua aposentadoria.
Em um gesto que mistura reparação e solidariedade, o senador Jayme Campos (União) anunciou que aderiu ao acordo de ressarcimento proposto pelo governo federal para os descontos irregulares sofridos em sua aposentadoria pelo INSS. O parlamentar, no entanto, tem um destino diferente para o dinheiro: a quantia integral será revertida em doação para uma instituição de caridade. A decisão transforma um prejuízo individual em um potencial benefício social.
A revelação foi publicada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo senador. “Eu vou fazer uma doação. Não sei se vai dar mil ou R$ 2 mil. Vou doar esse dinheiro, que já estava praticamente perdido. O que eu receber, vou doar para uma instituição de caridade”, declarou Campos, tratando o ressarcimento como um recurso inesperado e já dado como perdido.
A situação do senador veio à tona durante os debates no Senado sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo nacional de desvios no INSS. Na tribuna, ele mesmo contou como descobriu os descontos ilegais. “Após essa denúncia que houve de desvio, o contador foi verificar, porque nunca verifiquei. E ele falou: ‘senador Jayme, estão descontando o senhor desde 2024’. Ele ainda teve a curiosidade de pegar o holerite”, relatou o parlamentar na ocasião.
Do holerite à doação: a trajetória de um valor simbólico
Jayme Campos recebe uma aposentadoria de aproximadamente R$ 7,5 mil mensais, referente a 38 anos de contribuição com a Previdência. Os descontos irregulares, porém, começaram silenciosamente em março do ano passado, com um valor de R$ 77,86. Em março de 2024, o desconto indevido subiu para R$ 81,57, totalizando cerca de R$ 89 mensais nos últimos períodos – um valor que, multiplicado por milhares de cidadãos, revela a magnitude da fraude.
A CPMI que investiga o caso, que teve a deputada federal Coronel Fernanda (PL) como uma de suas coautoras e contou com o apoio da maioria da bancada mato-grossense, já identificou operações fraudulentas que se estendem desde 2019. O caso do senador Jayme Campos tornou-se emblemático, mostrando que nem mesmo figuras públicas estiveram imunes ao esquema.
Agora, com o ressarcimento acertado, o valor que foi subtraído de forma ilícita da sua conta encontrará um novo propósito. A doação, ainda que o senador afirme não saber o montante exato, carrega um simbolismo que transcende o aspecto financeiro. É a materialização de uma restituição que, em suas palavras, ele não esperava receber, e que agora será canalizada para apoiar o trabalho de uma entidade filantrópica, fechando um ciclo que começou com a indignação de uma fraude e termina com um ato de apoio à sociedade.
Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado
Com Informações: GD