Nesta quinta-feira (22), a Prefeitura de Cuiabá anunciou o fortalecimento da rede de acolhimento às mulheres em situação de violência, diante do cenário alarmante em Mato Grosso, que liderou o ranking nacional de feminicídios em 2024 e 2025. A estratégia, coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), aposta na descentralização do atendimento e na identificação precoce dos casos dentro dos próprios territórios.
Desde 15 de agosto de 2025, o atendimento passou a ser realizado por meio das Salas Acolher, implantadas em quatro Unidades de Saúde da Família (USFs), após o encerramento das antigas Salas da Mulher nas UPAs. O objetivo é garantir acolhimento humanizado, escuta qualificada e encaminhamento adequado às vítimas.
A secretária municipal de Saúde, Danielle Carmona, destacou que a mudança representa um avanço na política pública. Segundo ela, aproximar o atendimento de quem precisa fortalece o enfrentamento à violência, tratada como questão de saúde pública.
Já a secretária adjunta de Atenção Primária à Saúde, Cinara Brito, reforçou que a Atenção Primária é a porta de entrada do SUS, permitindo redução da subnotificação e maior capacidade de salvar vidas com a atuação direta nos bairros.
Onde buscar atendimento
O serviço atende mulheres a partir de 14 anos, por demanda espontânea ou encaminhamento, das 7h às 11h e das 13h às 17h, nas seguintes unidades polo:
- Regional Norte – USF CPA IV
Av. Curió – CPA IV - Regional Sul – USF Jockey Club
Rua Notável – Jardim Jockey Club - Regional Leste – USF Grande Terceiro
Av. Rio Pirain, 780 – Grande Terceiro - Regional Oeste – USF Ribeirão da Ponte
Rua Epitácio Amâncio da Fonseca, 117 – Ribeirão da Ponte
Em casos de violência sexual com menos de 72 horas, a orientação é encaminhamento imediato ao Hospital Universitário Júlio Muller, onde funciona o Projeto Ipê, serviço especializado.
Registros em alta
Dados do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) mostram crescimento expressivo nos atendimentos relacionados à violência:
- 2023: 29 casos
- 2024: 100 casos
- 2025: 410 casos
Segundo a SMS, o aumento reflete melhoria na escuta e identificação dos casos, permitindo enxergar com mais clareza a realidade enfrentada pelas mulheres.
Fluxo de cuidado
O atendimento segue um itinerário estruturado:
- Acolhimento inicial por equipes multiprofissionais;
- Escuta qualificada e avaliação de risco;
- Encaminhamento à rede de proteção e serviços especializados.
Apesar de desafios, como a sobrecarga das equipes e a necessidade de fluxos mais definidos para atendimentos psiquiátricos de longo prazo, a gestão avalia a iniciativa como fundamental para consolidar uma política permanente de proteção.
“Estamos estruturando uma rede preparada e comprometida com a vida das mulheres cuiabanas”, concluiu Danielle Carmona.