Câmara de Cuiabá Aprova Lei que Barra Conteúdo Erótico em Livros Escolares

 

Projeto de autoria do vereador Rafael Ranalli segue para sanção do prefeito após ampla votação favorável, acendendo debate sobre os limites do material pedagógico.

Em uma decisão que promete aquecer o debate sobre educação e moralidade na capital mato-grossense, a Câmara Municipal de Cuiabá aprovou, nesta quinta-feira (02), o projeto de lei que proíbe a utilização e distribuição de livros com conteúdo erótico nas escolas da rede municipal. A proposta, que agora aguarda a sanção do Poder Executivo para entrar em vigor, foi aprovada em segunda votação com 22 votos favoráveis.

A tramitação do projeto não foi isenta de controvérsias. Em um movimento que demonstrou a força da base aliada do autor, o parecer contrário emitido pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) foi derrubado pelos parlamentares, que decidiram, por ampla maioria, pela continuidade da análise da matéria.

O texto da lei é abrangente. Fica vedada, em qualquer formato, a utilização de obras que contenham descrições ou representações gráficas de caráter sexual, sejam elas explícitas ou implícitas. A proibição se estende a palavrões, imagens, desenhos, vídeos ou textos que façam referência a órgãos genitais, relações sexuais ou atos libidinosos. A proposta, no entanto, faz uma ressalva importante: a abordagem científica do sistema reprodutivo humano permanece permitida, desde que adequada à faixa etária dos estudantes.

Proteção ou Censura? O Debate na Voz do Autor

Na tribuna, o vereador Rafael Ranalli (PL), autor da proposta, defendeu a medida como uma necessária barreira de proteção para os estudantes. Em sua justificativa, ele argumenta que a infância e a adolescência são fases cruciais e sensíveis do desenvolvimento, e que a exposição a materiais de cunho erótico poderia comprometer a formação emocional e moral de crianças e jovens.

“Nosso objetivo é um só: preservar o ambiente escolar como um espaço seguro para o desenvolvimento pedagógico, psicológico e moral dos nossos alunos”, afirmou Ranalli. O parlamentar foi enfático ao diferenciar a proibição do conteúdo erótico da abordagem educacional sobre sexualidade. “Não se confunde com o ensino científico, que deve ser tratado de forma pedagógica e respeitosa. Estamos falando especificamente da vedação a conteúdos de natureza erótica, que não têm lugar dentro da sala de aula.”

Como referência para sua iniciativa, o vereador citou a cidade de Londrina, no Paraná, que aprovou legislação semelhante em março. A justificativa do projeto elenca uma série de benefícios esperados, como a proteção ao desenvolvimento emocional dos alunos, a promoção de uma educação ética e responsável, o respeito ao direito de pais e responsáveis em orientar a sexualidade de seus filhos e o fortalecimento da educação pública com foco em valores morais.

Agora, os olhos se voltam para o Poder Executivo. Caberá ao prefeito sancionar ou vetar a proposta, decisão que certamente será acompanhada de perto por educadores, pais e entidades da sociedade civil, em um reflexo de um debate nacional sobre os limites da educação sexual e a definição do que é considerado inadequado para o ambiente escolar.

Foto:Camile Souza

Informações: Reporter MT

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