Com atuação emocionante, Rafaela Marques, de 9 anos, foi premiada como Melhor Atriz Infantil no Fetran após interpretar criança vítima de acidente de trânsito; avó e mãe acompanharam a conquista.
Um espetáculo de apenas 20 minutos foi suficiente para consolidar o talento da pequena Rafaela Ribeiro Marques, 9 anos, estudante do 3º ano da Escola Municipal Silva Freire. Na noite de sexta-feira (3), ela recebeu o prêmio de Melhor Atriz Infantil na 20ª edição do Festival Estudantil Temático de Teatro para o Trânsito (Fetran), realizado no Teatro do Sesc Arsenal, em Cuiabá.
Com nota 9,8, a jovem atriz superou a concorrência de alunos de nove municípios mato-grossenses, encantando o júri formado por agentes da PRF, servidores do Detran-MT e artistas convidados. A premiação coroou uma apresentação que emocionou o público ao retratar as consequências fatais da imprudência no volante.
A peça que emocionou o público
Intitulada “Saber e Não Cumprir Não Salva Vidas, Apaga Futuros, Apressa as Despedidas”, a peça foi escrita pelo diretor da escola, professor Sérgio Lacerda. No enredo, Rafaela interpretava uma criança que perde a vida em um acidente de trânsito causado pelo pai, que avançou o sinal vermelho.
Em cenas marcantes, a personagem narrava suas frustrações por não poder realizar os sonhos de uma vida interrompida precocemente. “Vermelho é cor de limite. Sinal vermelho não é decoração. Saber e não cumprir não salva vidas. Apaga sonhos, histórias, futuros”, dizia uma de suas falas mais impactantes.
Um dos momentos mais emocionantes da apresentação foi quando a personagem abordava a “cultura do cancelamento”, referindo-se aos comentários na internet que isentavam o pai da responsabilidade pelo acidente. “Nenhum autor de comentário sabe da importância dos seus abraços”, declarava a jovem atriz, arrancando lágrimas da plateia.
Família comemora conquista
Após receber o prêmio, Rafaela não hesitou em dividir a honraria com quem sempre a apoiou. “Estou aqui graças ao apoio da minha família, dos meus colegas de sala e também do diretor da escola que sempre me apoiou”, disse a estudante, dirigindo-se especialmente aos avós e à mãe, que acompanhavam ansiosos a cerimônia.
Sua avó, Benedita Soares da Silva, não disfarçava o orgulho. “A Rafaela ama viver, respeita seus colegas de sala de aula, ama a família, mantém suas habilidades em ascensão. Isso me enche de orgulho”, emocionou-se.
A mãe, Fabiana Laura Ribeiro, via na conquista da filha um símbolo de esperança. “É uma vitória individual, mas de todas as crianças que sonham com um futuro melhor, que sonham com seus projetos. Estou muito feliz”.
Arte como instrumento de transformação
Para o diretor Sérgio Lacerda, a vitória de Rafaela representa a materialização de um sonho coletivo. “Esse projeto começou com um sonho que agora vira realidade. Serve de incentivo aos professores e estudantes. A arte nas escolas tem que ser praticada, vivida e valorizada”, afirmou, visivelmente emocionado.
Letícia Ceron, diretora de ensino da Secretaria Municipal de Educação, celebrou o resultado como um reflexo do compromisso da educação pública. “Estamos muito felizes com essa conquista, o que mostra o compromisso da educação pública de descobrir e auxiliar talentos para a arte e a educação, refletindo no futuro do país”.
O agente da PRF Eneias Cavalcante, coordenador do Fetran, defendeu a continuidade das parcerias. “A participação das escolas municipais cria um ambiente propício para cada criança desenvolver sua arte. Precisamos apenas de união dos entes federativos para realizar esse evento que traz um ganho expressivo à sociedade”.
O festival contou com apresentações de diversos grupos culturais, incluindo o tradicional Flor Ribeirinha, antes da cerimônia de premiação que consagrou o talento dessa promissora artista cuiabana.
Foto: Erlan Aquino