Educação como Antídoto: Em meio a índices alarmantes de feminicídio, MT busca soluções para crise que envergonha o estado

Relator da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputado Carlos Avallone analisa caminhos para enfrentar a violência de gênero e aponta a transformação pela educação como saída duradoura

CUIABÁ (MT) – Um silêncio constrangedor paira sobre Mato Grosso, que carrega o título amargo de campeão nacional de feminicídio. O dado, mais do que um número estatístico, representa vidas interrompidas, filhos órfãos e uma sociedade que clama por respostas. Diante deste cenário de extrema violência, o deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), relator da Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa, assume a missão de buscar saídas concretas para um problema que define como uma “vergonha muito grande”.

“Eu, como homem, fico envergonhado. Mato Grosso é campeão de feminicídio. O que tem de característica na nossa sociedade que possa levar os homens daqui a matar mais do que em outros 27 estados? Eu não consigo entender”, questiona Avallone, em um raro momento de autocrítica masculina no debate público. O parlamentar alerta para o risco de o tema ser instrumentalizado pela política em um ano pré-eleitoral, desviando o foco do que realmente importa: salvar vidas.

Em vez de se perder em acusações, Avallone decidiu olhar para os exemplos que dão certo. Ele solicitou o ranking nacional dos estados menos violentos para as mulheres e se deparou com um painel revelador: Amapá, Ceará e São Paulo lideram a lista daqueles com os menores índices de feminicídio. A descoberta acendeu um farol de esperança e um novo direcionamento para o trabalho da comissão.

“Vamos trazer pessoas que estão na área pública lá para vir aqui falar um pouco do que está sendo feito no Ceará. O que você lembra quando eu falo em Ceará? Educação. O Ceará hoje é um dos estados que tem a melhor educação do Brasil, e qual o outro no mesmo nível? São Paulo”, observa o deputado, conectando os pontos entre ensino de qualidade e redução da violência.

A conclusão, para Avallone, é clara e foi inspirada por uma lição do saudoso político Dante de Oliveira: “Transformação só se faz pela educação, não tem outra forma de transformar a sociedade”. A fala sintetiza uma crença de que é nas salas de aula, formando cidadãos mais conscientes e respeitosos, que se constrói a barreira mais sólida contra a violência de gênero – uma luta que, no caso de Mato Grosso, é urgente e necessária.

Foto: Instagram/carlosavalloneoficial

Informações: Reporter MT/ CONEXÃO PODER

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