Crise em Colíder: Audiência Pública discute impactos e prejuízos da Usina Hidrelétrica e cobra respostas

Foto - Gilberto Leite/ALMT

Uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Colíder, nesta quinta-feira (18), colocou em pauta os graves impactos ambientais, sociais e econômicos causados pelo rebaixamento emergencial do reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) de Colíder, no rio Teles Pires. O evento, requerido pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), debateu os riscos da barragem e os prejuízos à população local, apontando para a possível criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na próxima semana.

Motivada pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD), a discussão destacou a medida de segurança adotada pela Eletrobras, que rebaixou o nível da água para corrigir falhas em parte dos drenos da estrutura. A ação, porém, desencadeou uma série de consequências: mortandade de peixes, prejuízos à pesca, interferência na navegação e um duro golpe no turismo regional, principal motor econômico da área.

“Mato Grosso é exportador de energia, mas não pode confundir essa necessidade com atropelar o meio ambiente e desrespeitar as populações ribeirinhas”, afirmou Wilson Santos. O deputado alertou que, apesar de algumas respostas da Eletrobras, muitas pendências permanecem e a CPI será essencial para aprofundar as investigações. “Vamos cobrar o reparo dos danos e o ressarcimento de quem teve prejuízos materiais, sociais e até emocionais”.

O tom de cobrança foi reforçado pelo deputado Diego Guimarães, que preside a Câmara Setorial sobre o caso. “As respostas da Eletrobrás foram muito vazias. Com a CPI, tudo que for produzido será válido como prova para a investigação”, declarou. Ele confirmou que o requerimento para instalação da comissão já tem assinaturas suficientes e deve ser protocolado na próxima sessão.

Relatos de Prejuízos e Insegurança

O evento deu voz à comunidade local, que relatou perdas concretas. O prefeito de Colíder, Rodrigo Luiz Benassi, quantificou o impacto: uma redução de R$ 100 mil na arrecadação municipal mensal devido à queda na geração de energia e ao colapso no turismo. “Colíder se transformou em um polo turístico nacional. Hoje, perdemos esse atrativo”, lamentou.

Zezão Pescador, comerciante de iscas vivas há 28 anos, ilustrou a crise: “Antes vendia 50 mil iscas por mês. Hoje, não vendo nem 2 mil”. Empresários do setor hoteleiro, como Luiz Fernando Alves Galan, relataram cancelamentos em massa e incerteza sobre o futuro. “O prejuízo é enorme e ainda não sabemos como ficará a temporada de 2026”.

Posicionamento do Ministério Público e da Eletrobras

A Promotora de Justiça Graziella Salina Ferrari detalhou que uma perícia técnica já havia identificado anomalias na barragem desde 2022, situação que se agravou para alerta em 2025. “Temos um inquérito civil instaurado e estamos cobrando judicialmente ações emergenciais, planos de contingência e a reparação dos danos”, explicou.

Representantes da Eletrobras participaram por videoconferência e se comprometeram a resolver os problemas. Eles afirmaram que as falhas críticas nos drenos já foram sanadas, que não haverá novo rebaixamento e que um processo de ressarcimento financeiro emergencial aos atingidos está em andamento.

Apeso das promessas, o sentimento que prevalece é de vigilância. Como resumiu o presidente da Câmara Municipal, vereador Luciano Miranda (PP): “É preciso encontrar uma saída sustentável que devolva tranquilidade e segurança à região”.

Foto – Gilberto Leite/ALMT

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