Em um cenário global preocupante, dados recentes divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) acenderam um alerta urgente sobre a saúde mental. A entidade revelou, na última terça-feira (02), que mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo enfrentam algum tipo de transtorno mental, incluindo ansiedade e depressão. A situação, que impacta diretamente a qualidade de vida de uma parcela significativa da população, reforça a importância do Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e prevenção ao suicídio.
O aumento expressivo de casos, amplamente noticiado pela mídia internacional e nacional, como nas reportagens da BBC News e do jornal Folha de S.Paulo, reflete uma complexa combinação de fatores. A psicóloga Andreia Saviani Baranjak, especialista em transtornos de ansiedade, depressão e insônia, em entrevista concedida ao nosso jornal, ressalta a relevância da falta de informação e compreensão sobre essas condições. “Eventos estressantes, como desemprego, acréscimo, luto e a sobrecarga de papéis sociais, aliados ao isolamento, elevam o nível de estresse e estresse para o aumento desses números”, explica a psicóloga.
De acordo com a OMS, cerca de 721 milhões de pessoas tiraram a própria vida em 2021. Apesar das políticas públicas de ruptura para reduzir a mortalidade por suicídio, a meta de diminuir em um terço as taxas até 2030, imposta nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), enfrenta obstáculos perigosos. Um dos principais desafios, segundo Andreia, reside no tabu que ainda envolve o tema. “Uma pessoa que considera o suicídio busca, na verdade, se liberta de uma dor profunda. A falta de apoio, informação e tratamento adequado agrava essa situação”, afirma.
Uma análise da OMS também revela que as mulheres são mais afetadas por transtornos como ansiedade e depressão. A psicóloga atribui essa disparidade às questões culturais, como a dificuldade dos homens em expressar emoções e buscar ajuda. “A sobrecarga de papéis enfrentada pelas mulheres na sociedade moderna, somada a fatores hormonais, também pode aumentar o sofrimento mental”, complementa. É importante ressaltar, como apontam estudos recentes da revista científica The Lancet, que os números de homens podem ser subnotificados devido à menor procura por atendimento, o que não significa que o sofrimento emocional seja menor.
A busca por ajuda profissional, o acesso a informações confiáveis e o apoio social são fundamentais para enfrentar essa crise de saúde mental. A conscientização, a quebra de tabus e a promoção do diálogo aberto sobre o tema são passos cruciais para salvar vidas.
Foto: Marcelo Camargo/ABr
Informações: GD