Documentário “A Casa de Todas as Águas” Comemora 15 Anos de Luta Contra o Racismo Religioso em Cuiabá

Foto: Divulgação

O Cine Teatro Cuiabá será palco, nesta quarta-feira (10), do lançamento do documentário “A Casa de Todas as Águas”, uma celebração audiovisual dos 15 anos de resistência e luta do Ilè Okowoò Asè Iyá Lomin’ Osà contra o racismo religioso. A sessão, com entrada gratuita, marca um momento importante para a comunidade afro-brasileira de Mato Grosso, que encontra no filme um poderoso instrumento de visibilidade e combate ao preconceito.

Dirigido pelas cineastas Juliana Segóvia e Paula Dias, o curta-metragem é uma produção do Aquilombamento Audiovisual Quariterê, e se apresenta como um marco na produção cinematográfica local. “É um símbolo de resistência audiovisual do cinema mato-grossense, especialmente pela temática”, afirma Segóvia, em entrevista. A obra, que se estende por cerca de 20 minutos, segunda informações obtidas no site da instituição, Aquilombamento Audiovisual Quariterê, relata a jornada do Ilè Okowoò Asè Iyá Lomin’ Osà, desde sua fundação em julho de 2010, até os dias atuais.

O documentário mergulha na história da casa de axé, apresentando relatos emocionantes daqueles que testemunharam sua fundação e daqueles que representam as novas gerações. Por meio de depoimentos, o filme demonstra como a comunidade afro-brasileira tem articulado a resistência ao racismo religioso, que, segundo dados do Disque 100 e do Observatório da Discriminação Racial no Esporte, tem crescido no Brasil.

A produção se destaca por sua abordagem poética e intimista, explorando as dimensões fotográficas e sonoras para criar uma experiência imersiva para o espectador. Paula Dias ressalta que o filme é um convite à reflexão sobre as representações das culturas religiosas afro-brasileiras no cinema. “No audiovisual, assim como na política, não existe lugar vazio. Quando pessoas do candomblé, da umbanda e de outras vertentes afro-brasileiras não são escutadas, o resultado muitas vezes é de uma obra caricata e cheia de preconceitos. Então, o filme é uma resposta possível. Ele tenta preencher esse lugar com outras histórias, narrativas mais reais”, explica o diretor.

O babalorixá Bosco ty Xangô, líder do Ilè Okowoò Asè Iyá Lomin’ Osà, enfatiza a importância do documentário para a sociedade. “As religiões afro-brasileiras muitas vezes ocupam um lugar que não lhes cabe no imaginário das pessoas. A visão deturpada que se criou em torno desse tipo de culto é manifestada pelo preconceito, que, em alguns casos, evolui da agressão verbal para a violação dos templos. Representar as religiões a partir dos nossos relatos é uma forma de resistir, assim como nossos ancestrais fizeram”, conclui o babalorixá.

Foto: Divulgação

Informações: GD – Gazeta Digital

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