Mulheres Indígenas de Mato Grosso Conquistam Avanços na Conferência Nacional

Foto: Divulgação

Em meio a um cenário de luta e esperança, as mulheres indígenas de Mato Grosso tiveram suas vozes ouvidas e suas demandas incorporadas em propostas concretas na I Conferência Nacional de Mulheres Indígenas, realizada em Brasília como parte da IV Marcha de Mulheres Indígenas. O evento, que reuniu delegações de todo o Brasil nos dias 5 e 6 de agosto, marcou um passo significativo na busca por direitos e reconhecimento.

As diretrizes defendidas pelos representantes de Mato Grosso, que foram debatidas em etapas estaduais e regionais (respectivamente na Terra Indígena Japuíra e em Rio Branco, AC), convergiram para um conjunto de 49 propostas aprovadas na Conferência Nacional. Entre os temas prioritários, destacam-se a **demarcação das terras indígenas**, a **maior participação feminina nos espaços políticos e de gestão territorial** e o **fortalecimento das brigadas indígenas**, com equipes mistas para prevenção e combate a incêndios.

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, em seu discurso de encerramento, ressaltou a importância das propostas, especialmente no que diz respeito à gestão territorial pelas mulheres indígenas. “Estamos trabalhando para ter as condições de implementação de PGTAs (planos de gestão territorial e ambiental) em territórios indígenas”, afirmou o ministro, destacando o apoio ao governo à elaboração e implementação desses planos.

A questão da **violência obstétrica**, apontada como um problema recorrente pelas mulheres de Mato Grosso, também ganhou destaque. A deputada estadual Célia Xakriabá, em seu discurso, enfatizou a urgência de combater essa forma de violência que, segundo ela, ceifa a vida de mulheres indígenas e negras. A luta contra a violência obstétrica ganhou força com a recente reportagem de uma médica por violência obstétrica em Santa Catarina, conforme noticiado pelo jornal Folha de S.Paulo em outubro de 2023.

Outra demanda crucial debatida foi a **proibição ao acompanhamento de saúde por pacientes** e outros profissionais tradicionais em hospitais. A Conferência propôs o reconhecimento oficial de festas, pajés e outros especialistas indígenas como profissionais de saúde, além da construção de casas de saúde com equipes interculturais. A revista Carta Capital, de abril de 2023, publicou uma reportagem que discute a importância da medicina indígena e a valorização dos conhecimentos tradicionais.

Maria Anarrory Yudjá, coordenadora do Departamento de Mulheres da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), celebrou a importância da Conferência para a união e o protagonismo das mulheres indígenas. “Através de nós é que temos uma solução para direcionar todos esses desafios que a gente tem em relação aos direitos das mulheres, do território, cultura, educação e saúde. Tem que vir através de nós essas soluções”, concluiu.

O contorno com a cooperação do Ministério dos Povos Indígenas e reafirma a determinação das mulheres indígenas em lutar por seus direitos e construir um futuro mais justo e igualitário.

Informações: Gazeta Digital

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