A Arena Carioca 1, palco do Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica no Rio de Janeiro, foi palco não apenas de performances acrobáticas, mas também de uma vibrante festa da cultura brasileira. Ginastas de diversas nacionalidades, desafiando a tradicional barreira da torcida, têm conquistado o público local ao incorporar a música brasileira em suas apresentações, criando uma atmosfera de festa e admiração mútua.
A competição, que se estende até o final da semana, tem revelado um lado inesperado das atletas estrangeiras. Em vez de se intimidarem com o apoio fervoroso da torcida brasileira, eles abraçaram a cultura local, escolhendo músicas de artistas icônicas como Ivete Sangalo, Alcione e Daniela Mercury para embalar suas rotinas. Essa estratégia, além de aproximadamente do público, tem se mostrado um sucesso, com algumas ginastas já colhendo frutos em termos de reconhecimento e, em alguns casos, até as mesmas medalhas.
A italiana Tara Dragas, finalista no individual geral e na fita, é um dos exemplos mais emblemáticos dessa fusão cultural. Ao som da “Criação da Ivete”, de Ivete Sangalo, a jovem ginasta conquistou a medalha de bronze na etapa de Baku da Copa do Mundo em abril e o ouro na etapa de Milão em julho. A escolha da música foi uma decisão estratégica, como conta a própria ginasta. “Eu e minha mãe temos muitos amigos brasileiros e sabíamos que o Mundial seria no Brasil. Então, pedimos conselhos e algumas músicas que pudessem fazer o público se divertir comigo. Eles nos deram algumas ideias e essa foi a melhor opção. Eu a amo absolutamente!”, declarou Dragas. A apresentação de Dragas, contribuições de carisma e energia, viralizou nas redes sociais, com a Federação Internacional de Ginástica (FIG) compartilhando o vídeo em suas plataformas. No Rio, a ginasta repetiu a série, sendo recebida com entusiasmo pela torcida, que chegou a exibir cartazes com os dizeres “Tara Sangalo”, em homenagem ao atleta e à cantora.
A russa Vera Tugolukova, competindo pelo Chipre, também se destacou ao escolher “Não Deixe o Samba Morrer” para sua apresentação com as mães. A ginasta, que já havia conquistado o bronze na Copa do Mundo de Milão com a mesma apresentação, declarou a torcida na Arena Carioca 1, mostrando que a música brasileira pode transcender fronteiras e unir povos.
A história de Mayte Guzman, da Bolívia, também demonstra a influência da cultura brasileira sobre os atletas. A ginasta, que treinou no Brasil e agora reside no Paraná, escolheu a música “Romaria” para sua apresentação na bola, demonstrando um profundo apreço pela música popular brasileira.
O Mundial de Ginástica Rítmica no Rio de Janeiro, portanto, tem se marcado um evento que vai além da competição esportiva, celebrando a diversidade cultural e a capacidade de união através da arte e da música. A última individual, que será disputada nesta sexta-feira, promete mais emoções e, quem sabe, novas homenagens à rica cultura brasileira.
Foto: Gaspar Nóbrega/CBG